quinta-feira, 11 de abril de 2019

100 Dias na Terra - Resenha

100 Dias na Terra

Rúbia Albuquerque

Ano: 2017 
Páginas: 220
Idioma: português 
Editora: Upbooks
Sinopse
Calebe é um morador de Lundi que tem como missão passar 100 dias no Planeta Terra enquanto recolhe informações para um relatório sobre como os habitantes do Planeta Terra estão sendo afetados pela Grande Guerra - um conflito entre o bem e o mal que já dura milênios.
Ao conseguir um trabalho como fotógrafo em um documentário, ele passa a maior parte do tempo viajando ao redor do mundo para contar histórias relacionadas a grandes tragédias. A equipe começa filmando no Brasil, conversando com parentes das vítimas de um grande acidente aéreo, depois Grécia, onde conhecerá histórias de refugiados e pessoas que procuram ajudá-los, Índia – país onde a cada 21 minutos uma mulher é estuprada, Indonésia, Malásia e Tailândia, países mais atingidos por um tsunami, Ruanda, com suas trágicas histórias do genocídio, França e suas marcas devido aos atentados terroristas e finalmente os Estados Unidos e as lembranças do 11 de setembro.
Calebe chega aqui com uma visão própria de um observador distante, mas isso logo muda enquanto ele vivencia novos sentimentos e situações ao conviver com pessoas daqui - especialmente uma colega de trabalho, Maria Eduarda, ou Madú.
Neste livro, ficção e realidade se misturam para trazer ao leitor não apenas momentos de entretenimento, mas também de reflexão em relação a si mesmo e o mundo em que vive.

"No começo achei que o período que iria passar aqui era longo demais, mas agora me pergunto se será suficiente"

A grande Guerra está se aproximando do desfecho e esse conflito entre o bem e o mal já dura milênios.

Calebe é habitante do planeta Lundi , um planeta de outra galáxia - a qual nós chamamos de Andrômeda -, o planeta Lundi é 11 vezes maior que a terra. Todos os habitantes vivem em harmonia onde cada um se importa com o bem-estar do outro, desde a infância Calebe sempre sonhou em conhecer o planeta terra - o planeta caído - e por isso se voluntariou para essa missão. O que ele nunca imaginou é que, mesmo tendo estudado muito sobre esse planeta, viver essa experiência o surpreenderia tanto.

"Como uma raça inteira poderia estar tão degradada? Como os terráqueos não se preocupam com a deterioração da sua própria espécie? Como todas aquelas pessoas conseguiram passar direto, sem ao menos um simples olhar de compaixão?"

Todos esses questionamentos começaram a surgir após Calebe passar pelas ruas e ver pessoas nas calçadas, pedindo dinheiro e comida.
Em sua missão de 100 dias na terra Calebe precisa conhecer o máximo sobre a humanidade para fazer o seu relatório e após buscar por emprego, conseguiu se encaixar em um documentário que seria gravado em uma viagem a vários países, para retratar como pessoas de diferentes culturas lidam com a dor.  Calebe foi contratado como fotógrafo, e se revelou um expert em captar na fotografia a verdadeira essência do momento.

Ao longo de sua jornada Calebe se torna um deles e até chega a vivenciar... sentir na pele, as suas dores. Conhece novas pessoas, novos amigos, e entre eles posso destacar Madú e Tomás, dois personagens que acabam fazendo uma grande diferença na vida dele.

100 dias na terra é um romance de ficção científica Cristã, gosto muito de ler Sci-Fi, e fiquei muito curiosa quando li a sinopse. Confesso que de antemão, já estava encantada pela capa  - e sim, sou dessas! 😌

E fiquei feliz ao ler o livro e superar as minhas expectativas. A Rúbia  Albuquerque, conseguiu unir realidade e ficção de uma forma admirável.

Quando viajamos juntos com os personagens e conhecemos sobreviventes de catástrofe, como o tsunami na Indonésia, genocídio na Ruanda, entre outros fatos reais, porém citados através de entrevistas com personagens (fictícios) sobreviventes, falando sobre como tudo aconteceu e como eles conseguiram lidar com tudo isso, é impossível não se sensibilizar  com esses relatos,  que não são histórias reais mas até poderiam ser, afinal a mídia mostra tudo que acontece de ruim mas pouco sabemos (ou fazemos), sobre algo realizado para amenizar as dores dessas pessoas a longo prazo.

"Essas pessoas estão dispostas a falar de algo muito difícil e dolorido algumas superaram outras não. Se abrimos as feridas, nós precisamos saber fechá-las. Seria errado fazê-las falar sobre um tema delicado e depois ir embora"

Difícil não ser tocada ao ver tudo que acontece em nosso planeta pelo ponto de vista de alguém que vive em um mundo perfeito e na presença do eterno, e não parar para refletir.

Será que fazemos algo para melhorar a vida de quem está à nossa volta? Todos os dias nos deparamos com cenas, atitudes, que não deveríamos enxergar como algo normal, mas já nos acostumamos com isso, e ao ler esse livro muitas vezes me surpreendi com  o quanto a humanidade tem se tornado cada vez mais desumana.

O fato de ser um livro Cristão, e em vários momentos falar sobre Deus - O Eterno - não é algo que impõe uma religião. O protagonista sempre que questionado sobre suas crenças em seus diálogos com os amigos, coloca de forma simples sua fé no eterno e o amor que ele tem por cada um de nós, com o intuito de mostrar que podemos fazer a diferença nas vidas das outras pessoas e também na nossa.

Quanto a edição Eu gostei muito da diagramação, temos algumas folhas pretas, com papel que possue semibrilho. Nessas páginas as fontes são brancas e elas se encontram no início do livro e entre os capítulos. Não encontrei erros ortográfico, as páginas são amareladas e as fontes de um bom tamanho para leitura. 
A Rúbia ainda cita durante a Trama escritores e livros que gosto bastante  -Vou deixar um exemplo aqui -,  em alguns momentos ao fim das reportagens, deixa uma nota sobre quando, onde e como aconteceram os fatos reais abordados no livro.

"Somente quem ama tem ouvidos capaz de ouvir e entender as estrelas - Olavo Bilac"

Super indico o livro, e se você já leu, gostaria de saber suas impressões! 



domingo, 24 de fevereiro de 2019

Coração de Poeta - Em Prosa e Verso - Resenha

Olá, amantes dos livros! 

Hoje trago para vocês, a resenha do livro "Coração de Poeta - em Prosa e Verso". Trata-se da primeira biografia do escritor Soares de Souza Júnior, autor da letra do hino oficial do Estado do Rio de Janeiro e patrono da cadeira 42 da Academia Fluminense de Letras.

Um autor que fez uma grande diferença na literatura em seu tempo, porém foi sendo esquecido ao longo dos anos. 
Confesso que não sou muito adepta da leitura de biografia, mas desde o momento que vi a premissa do livro, fiquei extremamente curiosa em realizar a leitura. 
O autor Marcos Mônaco nos presenteia com uma obra rica em detalhes, que tem como foco principal a vida literária dos Soares de Souza

E tais fatos são apresentados de forma linear, acrescidos sempre de fragmentos reais, como recortes de jornais e transcrições de críticas aos seus trabalhos na época.

O Soares de Souza, foi um dos escritores brasileiros mais aplaudidos no século XIX, teve grande destaque nas suas atuações abolicionistas e republicanas, e foi alvo de grandes críticas - positivas e negativas - em seus trabalhos literários como poeta, dramaturgo, jornalista e tradutor. 
Um grande defensor dos direitos humanos, que não se calava diante dos fatos. 


"E sucumbiremos nós?
Talvez que sim, pois é essa a sorte do jornalismo no Brasil, fecundo torrão onde se cultiva a terra e não a inteligência, onde o homem não precisa saber para enriquecer-se. Feliz Terra!"


Achei muito legal a forma que o Marcos Mônaco descobriu e decidiu pesquisar mais sobre o autor - até então, também desconhecido para ele -. 
E o que me impressionou ainda mais, foi o fato de que, apesar da importância que o Soares de Souza teve com suas obras em vida, ele tenha ficado quase que totalmente esquecido... Pouco se encontra disponível de suas obras.

O livro Coração de Poeta, está dividido em três partes...

Na parte I, conhecemos quem foi Soares de Souza e o quão relevante foram seus trabalhos para a sociedade.


"Um Jovem Talentoso e idealista...
Admirável tanto pelo seu talento como pela incansável operosidade e fecundidade em escrever, como poeta, como jornalista e como dramaturgo."


Na parte II, temos uma antologia de poesias.


"Olhar de minha mãe
Aquele olhar que sinto em mim fixado,
Inquieto, indagador, tem tal ternura,
Que mais o vejo e mais se me afigura
Ver dentro escrito nele o meu passado.

Nasceu quando eu nasci; foi a meu lado,
Naquela suavíssima doçura,
Como estrela a guiar-me em noite escura,
E sempre o meu abrigo, eu - seu cuidado.

Olhar da minha mãe, tão casto e santo,
Se me foges às vezes é que o pranto,
Quando sofro, ocultar-me tu desejas...

Então sorris chorando... Uma tormenta
À luz do sol... olhar que me sustenta,
Olhar de minha mãe, bendito sejas!"

Na parte III, alguns contos do autor. 
A leitura desse livro foi uma experiência incrível para mim, confesso que é difícil distinguir de quais momentos gostei mais.
Quanto à diagramação, quero parabenizar também à Lura Editorial. É a primeira vez que leio um livro publicado pela Editora, e percebi o capricho com a edição. A capa está linda, as páginas são amareladas e a fonte de ótimo tamanho para leitura. Temos algumas fontes diferenciadas em títulos e datas que vão sendo apresentadas na linearidade dos acontecimentos, como também imagens... E aquele cuidado especial, entre as divisões das três partes do livro. (💖) Não encontrei erros ortográficos.


Por fim... Não tem como não indicar a leitura dessa obra!
Coração de Poeta... 
No Skoob - Aqui
No Instagram - Aqui
Na Livraria da Lura Editorial - Aqui